Não sei o que escrever aqui.
A mente vazia não encontra nada.
Ao meu redor, o silêncio soturno de um dia pacato.
A vida acontece e eu não vejo ninguém.
Não sinto nem frio, nem calor;
só observo o ponteiro do relógio andar em velocidade da luz.
Alguém me disse: “Dê tempo ao tempo.”
Mas sou egoísta e reclamo.
Como vou fazer isso
se ele nunca me deu nada,
a não ser a certeza
de que um dia tudo isso vai acabar
e eu não terei tempo de viver tudo o que almejo?
Não sei o que escrever aqui,
nesta folha em branco,
como se fosse o futuro em minhas mãos
e eu desconhecesse tudo.
O amanhã não me pertence,
e o agora estou perdendo,
como água escorrendo pelos meus dedos.
Não sei o que escrever no meu viver.
Que história irei contar aos meus netos?
Cada dia é uma página,
e todo dia eu borro ou rasuro.
Não existe borracha para apagar nossos atos;
o que foi feito já é,
e não há como voltar no tempo.
Entre escolhas e consequências,
vou pagando caro por tudo o que escolhi.
Não sei o que escrever aqui…
O poeta não existe mais.
Acabaram os versos, as rimas;
veio o esquecimento do tempo.
A memória afetada,
e a ilusão da vitória frustrada
ao saber que não somos nada,
apenas pó e a ele retornaremos,
mais cedo ou mais tarde.
A vida é isso:
correr contra o tempo
e, mesmo assim, perder.
Fecho o caderno
e jogo a caneta de lado,
já que não sei o que escrever aqui.
Warlei Antunes