Hoje me deparo
com a folha vazia.
O caderno é a história
que conto,
versos perdidos,
pensamentos tortuosos.
Vozes, vozes, vozes...
Como elas gritam!
E eu, sem saber
o que fazer,
apenas corro sem rumo
em cima da folha vazia,
derramando minha poesia
como uma última tentativa
de encontrar a salvação.
Hoje me deparo
com a folha cheia,
o caderno com borrões
que não consigo compreender.
Busco por respostas:
De onde eu vim?
Para onde vou?
Por que eu existo?
Existência dolorosa,
perturbações mentais
que pregam a minha desistência.
Pessimismo...
Eu já deveria ter desistido,
mas algo dentro de mim
diz que ainda não é o fim,
e eu resisto dia após dia.
Hoje me deparo
com essa poesia.
O caderno é testemunha
das minhas reclamações,
das minhas frustrações.
Mas todo dia
eu preciso escrever.
Para onde vou, vejo um poço de solidão,
um abraço ao coração.
Eu existo pela poesia
que abraça minha alma,
derramando força e coragem.
De onde eu vim não existe perder.
Hoje me deparo
com essa poesia
na folha surrada
desse velho caderno,
uma lembrança,
um pedaço de mim,
um átomo,
sem pressa
nem atraso.
O poeta já foi,
mas a poesia ficou...
Warlei Antunes